domingo, 27 de dezembro de 2009

E foi


Neste ano, a virada terá Lua Azul. Pra quem não sabe, fique atento: o termo se refere à segunda lua cheia que ocorre num mesmo mês - algo que acontece a cada dois ou três anos. Pra quem gosta de fazer suas mandingas de Ano-Novo, aproveite essa energia que vai ser porreta.

Aliás, vale qualquer coisa de um tudo pra fazer com que a energia se renove. Afinal, fomos persistentes em 2009 pra fazer valer cada momento bacana, apesar das escorregadas. Eu não tenho o que reclamar e vou comemorar o velho e o novo. Aprendi, fiz amigos, mudei de emprego, chorei, beijei, bebi, comi, escrevi e tive muito tempo pra olhar o futuro e moldar no pensamento os meus próximos passos.

2009 foi um ano legal, porque decidi cortar um monte de lance da minha vida. Fiz a energia rodar. E continuo mais viva, cada vez mais.

Agora, tô super curiosa pra ver o que acontece no próximo ciclo. Vamos aguardar os próximos capítulos.

Feliz 2010!

Amor, sexo, paz, drinks e piadinhas sem graça. Tudo de bom.

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Golpe de mestre

Eu não gosto de ser cruel, maldosa ou malvada. Acho realmente que esse é um lance bem mesquinho, mas agir calculadamente quando uma situação passa dos limites se torna inevitável. Aí bicho, não dá pra ter sangue de barata. Porém, o que dá pra fazer sempre é manter a elegância. O efeito certamente será devastador, acredite.

A história é a seguinte: o meu recente-ex-affair libanês me fez passar por uma situação bem desagradável quando estávamos juntos: nos encontramos na mesma festa árabe de sempre e ele também levou a sua outra companhia. Naquele momento, soube que não era a unica a brincar naquele playground. Bom, a garota ficou louca da vida (com razão) e eu com cara de pastel tratei de sair fora rapidinho. Ele ligou, ligou e ligou - até cansar. Afinal, não dá pra ter tudo na vida.

É um tipo de situação que chateia pacas, mas depois ficamos com a certeza de que o sapato não servia mesmo e seguimos pelo caminho com o pé descalço.

A gente esquece, mas espera que as pessoas também esqueçam da gente.

Não foi o caso. Ontem fui à mesma festa e o fulano apareceu acompanhado daquela mesma garota do dia da confusão. Eu não sei o que deu na cabeça da "menina", mas ela passou quase a festa toda preocupada comigo - com direito a cenas do tipo "esse homem é meu", beijos ardentes, apertos e agarrões. As minhas solidárias amigas acharam um absurdo. Eu também, mas o que a gente pode fazer neste caso? Nada, porque a doença não está em você.

Eu achei que uma hora ela iria parar com seu show particularmente destinado à minha pessoa, mas não aproveitou essa oportunidade. Bom, fiquei calmamente de saco cheio e decidi acabar com aquilo. Como? Com apenas um olho no olho, um sorriso jocoso e uma piscadinha sexy. Ele não resistiu e retribui minha sutil provocação. E a partir disso, jamais fui incomodada novamente. Infelizmente, acabei flagrando um quebra pau na saída do bar. Resultado: ela enlouqueceu e ele ficou sozinho, sentado em meio às plantas da porta da festa.

E fui pra casa com uma incrível sensação de bem estar.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

A amiga nostalgia

Eu sei que não é muito bom viver de recordações e que o ideal é sempre seguir em frente. Acho digno e bacana, mas a gente precisa justamente de alguns tipos de blindagens para continuar no caminho. A nostalgia é uma dessas proteções momentâneas. Um pouco dela não faz mal e não gosto quando as pessoas criticam as outras por conta disso. Me faz um bem danado ouvir uma determinada música que traz à tona o clima de um momento que vivi. Dá quase pra sentir o cheiro e a temperatura do lugar, daquele segundo, uma coisa certamente estranha, só que é inevitável - a sensação vem e você se deixa levar por alguns instantes. Aí vem a saudade, um sentimento bom de que a vida sempre foi perfeita. Ontem, escrevi uma carta de punho pra uma amiga que foi morar no Líbano. A cada palavra que eu desenhava, lembrava dos nossos bate papos regados com muito chá de menta. E um sentimento único me tomou completamente. Também recebi da Tata, que mora em Ilhéus, um CD com filmes e fotos de todos os amigos. Ao assistir o filme, senti a mesma sensação de subir a Rua Augusta nos dias de muito frio paulistano em direção à casa dela. Chorei. Depois me senti muito bem.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

A cigana leu

Eu gosto de um bom jogo tarô. Gosto muito, mas não sou uma louca esquizofrênica que vai ao tarólogo a cada seis meses. Aliás, faz muitos anos que não tiro a sorte. Quem não tem curiosidade sobre o que não tem freio? Então, sendo assim e entretanto, fui em direção a um dos bons. O cara teve coragem de falar muitas coisas que só eu sabia e virou as cartas. Eu tive ainda mais coragem e ouvi tudo o que ele me disse - e tinha muita paulada, questões familiares. Na avaliação geral só coisas positivas e muitas mudanças, com direito à chegada de um menino - o meu único filho. O pai? Um estrangeiro, que também foi visto nas cartas da taróloga da minha irmã. Se vai rolar não sei, mas acho interessante esse cruzamento de informações cósmicas. Certamente não se falaram por telefone, né?

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Sinais errados, paixonite e confusões


Eu só funciono a partir da linguagem dos sinais. É assim mesmo porque eu me conheço bem - quando se trata de romance, a vírgula e os dois pontos me confundem - aí fudeu, porque se começo a receber o que não estou acostumada, viro a gatinha besta apaixonada. É raro receber, portanto é mais raro ainda doar romance (quer dizer, me doar pra alguém). Por isso, fico achando que o meu doar é muito especial e não pode ser rejeitado - afinal, a "pavoa" aqui é do signo de leão. Pra quem conhece um pouquinho desse temperamento felino, vai entender do que estou falando.
Todo dia tento falar a verdade pra minha sombra. Uma repetição incansável: "Regiane, você é uma besta mentirosa. Vai em frente. Você não quer nada casual. Você quer mesmo é romance, amor, carinho, colo e coisas gostosas...". Penso e vejo que é tudo verdade, só falta largar mão de ser bundona.
Eu gosto das coisas claras e se o embrólio começa a ficar muito próximo, fofo, me sinto livre para amar mesmo, sem-dó-nem-piedade. Afinal, o outro me deu os sinais de que posso ir nessa direção. É foda ser passional, intensa demais - só dá dor de cabeça. Só que eu só sei amar assim. Não sei se vale a pena ser de outro jeito.
Agora, se o sinal é contrário tudo fica mais fácil pra mim. Só que eu tô tão cansada disso.

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Os mais jovens


Sempre torci o nariz para relacionamentos com homens mais novos - preconceito mesmo e assumo a bobagem. O meu motivo é por conta daquela diferença de fases. Porém, existe algo que me atrai para essa experiência, como o sabor da leveza doce dos garotos com 25 anos. Coisa essa que os moços que passaram dos 30 já não tem mais - esses, também da forma mais doce, já começam a migrar para o mundo das neuroses de pessoas adultas, com medos e desafetos que alimentam barreiras invisíveis (apesar daquela deliciosa maturidade masculina). Não só os homens, como as mulheres também (me incluo nessa). E aí fica meio difícil chegar. Já com os homens mais novos você sempre chega e tudo é festa e aprendizado - pode dar trabalho, mas se todo o "esquema" cansar, você sempre saberá o que fazer. Brincar com os meninos mais jovens é muito bom, por que eles olham pra você com cara de surpresa e surpreendem - não por que têm obrigação, mas por que querem surpreender. Acham tudo o que você faz bonito e têm energia de sobra para qualquer programa (aliás, sobra energia). São carinhosos e abertos para receber do mundo suas cores e suas dores. Perguntam, duvidam e tiram a prova - é tão bonito. Bom - a quem possa interessar - eu sugiro alimentação reforçada, paciência (claro) e um pouco de despreocupação. Viver isso tudo já basta, mas vai que a estória de "Eduardo e Mônica" sai da partitura.

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

A dona da história


Ao longo da semana, cento e caralhos pessoas me perguntaram se eu quero casar - perguntinha besta. Respondi aos curiosos: não. E ter filhos? Respondi que não quero crianças na minha vida. Notei que a minha aparente repulsa pela mais famosa falida instituição - a mais falida de todos os tempos - gera um certo desconforto emocional nos seres humanos. Porra, mas eu queria entender qual é o problema de não querer casar e ter filhos? Eu não quero fazer parte dessa turma - eu quero amor sim, mas se for verdade, e não esse faz de conta da família feliz que vai ao parque com suas crianças no domingo, porém, durante a semana, o marido sempre arruma um horário maluco pra comer suas colegas de trabalho. A gente sabe que grande parte dos casais vai pra igreja porque "precisam" fazer família. Eu não preciso fazer nada. Um amigo me chamou de hipócrita como se falasse "mulher que não quer casar?". Sinceramente eu não quero, obrigada. Ao jogar de lado as questões hipócritas sobre casamento e que envolvem desgaste, traições e afins (momentos que não quero escritos na minha história), acho que existem pessoas que sabem dividir e ceder muito bem ao outro. Tem gente que não. Eu me encaixo no padrão dois, mas não é por mal e sim por pura preguiça emocional. Se eu tenho traumas? Nenhum. Corações partidos? Alguns, mas quem não tem? O fato é que não vejo vantagem em fazer tanto esforço para dividir a cama com um homem diariamente. Acho que tudo pode ser diferente. Acho que a coisa toda pode ser mais ampla para que o diálogo sempre exista - do nada até qualquer estímulo intelectual, bizarrices e piadinhas. Sou defensora do amor cada-um-na-sua-casa" e se-tô-junto-tô-a-fim. Na verdade, não gosto de fazer nada obrigada e o casamento, depois de um tempo, fica muito parecido com o lance de bater cartão na empresa (falam tanto que é uma instituição e não é por acaso) - não gosto quando os lances humanos têm contrato. Não quero isso não e, por favor, deixa eu não querer.