domingo, 12 de julho de 2009

Delight


Mais uma das minhas fotos feitas durante a passagem por Ilhéus
Os pequenos prazeres, ao longo da vida, levam direto para o coração uma certa onda de tranquilidade. Isso inclui as necessárias tarefas cotidianas - a escolha da roupa, do sapato e acessórios, a maquiagem e a leitura dos e-mails de trabalho. Porém, com o tempo, também descobrimos algumas habilidades que nos conduzem para um mundo bem particular, onde somos rainhas de nossos desejos - no meu caso, a dança, e agora a arte da découpage e a fotografia de coisas, paisagens, detalhes e, principalmente, pessoas.

Isso apresenta ao meu estado de ser humano feminino, a cada dia, uma série de possibilidades que não se resumem apenas a espera de um homem para tornar a minha felicidade completa. Depois dos 30 anos, as mulheres costumam ter uma certa dependência psicológica de que a plena realização deve estar aliada ao casamento e a procriação. Talvez, por ser uma questão fisiológica ou por que existe o medo aterrorizante de ficar completamente só até o fim dos dias. Porém, isso acaba se tornando uma daquelas malas pesadas que caem da carruagem em um determinado momento da estrada. Algumas pessoas voltam para buscar uma delas quando sentem falta - ou as duas. Já outras nem se preocupam com isso e deixam se levar pelas surpresas que a vida proporciona no dia-a-dia.

As mulheres (grande parte delas), quando se encontram entre amigas, acabam sempre por comentar que estão em contagem regressiva - algo que me irrita profundamente. Falo que isso é uma grande bogagem e, de repente, os olhares se voltam para a minha direção e se tornam densos como se eu fosse a bruxa má insensível, que não acredita nos poderes do amor.

Acredito sim, mas também acredito que existem muito mais coisas a fazer do que chorar a "má sorte" de ainda não ter encontrado o cara que vai compartilhar as delícias e mazelas que existem na vida a dois. Tenho a impressão - e muitas vezes acontece mesmo - de que a mulher, quando encontrar o seu amado, vai deixar de respirar o seu próprio ar já que a espera foi "árdua" e "sofrida".

Quem já não enfrentou uma partida de futebol junto ao seu homem do momento e/ou namorado e marido, rodeada por seus amigos dispostos apenas a ingerir litros de cerveja e comentar as jogadas impressionantes de seus craques - mesmo odiado e desejando verdadeiramente um momento de leitura solitária ou apenas ouvir música alta para dançar sem roupa pela casa? Fica tão cega que não consegue perceber que, no máximo, a sua participação nesse momento se resume a cozinhar para todos ou levar a bebida gelada direto à mão do seu amado homem.

Não que isso seja errado, por favor não me levem a mal, mas quando entendemos que o nosso homem não vai embora só por que não queremos estar ao seu lado durante a partida de futebol, tudo fica mais harmonioso. Na verdade, ele nem liga se você está lá ou não - isso não é tão importante. Não precisamos declinar outras vontades porque "precisamos" partilhar todos os momentos ao lado dele - isso certamente vai estrangular o relacionamento uma hora ou outra. Aí é que entram os pequenos prazeres aprendidos durante a solteirice e que devem ser cultivados pelo resto da vida - com ou sem "ele".

Acho, pura e simplesmente, que jamais devemos esquecer de quem somos na essência. Claro, o instinto maternal sempre existirá e nos será peculiar em qualquer situação - graças a Deus, Alá ou quem quer que seja - e nos motivará a doar nosso amor com carinho e ternura para nossos filhos, amores e amigos. É aquela roda feminina que equilibra a objetividade masculina.

Por isso, amigas e amigos - já que o inverso também ocorre - não se deixem entristecer pela solidão (que sabemos o quanto pode ser cruel). Libertem-se dos pensamento únicos e deixem que outros ocupem suas mentes. Descubram outras atividades e tornem rico os seus conhecimentos. É bom andar entre as pessoas e imaginar que muitos talentos estão escondidos. Ás vezes, penso na quantidade impressionante de cantoras, fotógrafas, artistas plásticas, poetisas, entre outros lados Bs, que estão prontos para gritarem em meio às multidões. E isso só não acontece por que existem mulheres que pensam o dia inteiro no que fazem seus homens quando não estão ao lado. E por que as solteiras "precisam" se "resolver" com urgência. Calma à todas.

Um clichê básico, mas não menos verdadeiro. A felicidade está dentro de nós e não na existência do outro.

4 comentários:

Liana disse...

sua última frase disse tudo. é o q acredito. a felicidade está em nós, não em outra pessoa.

sou cobrada por isso, afinal, uma mulher com 32 anos (eu!) deveria estar casada e com filho... mas a cobrança é externa. Tô bem comigo. Não aceito nada menos do q estar muito bem, logo, não aceito qq um.

Irmãs disse...

Concordo com a Liana e tem mais - as mulheres fantasiam muito sobre casamento e filhos - lógico que é maravilhoso, mas as vezes precisamos de um tempo só pra gente, pra ficar de "barriga pra cima mesmo".

Adorei a parte do futebol ... aqui em casa é o contrário! Adoro futebol e quando o meu time está jogando é capaz do Fábio ter que ir pegar cerveja pra mim, já que torcemos para times diferentes.

Beijos!

Sah

JDEL disse...

Mulheres e seus eternos complexos...

Anônimo disse...

B. achei otimo o seu texto, e como e verdadeiro. Vc esta amadurecendo lindamente :)
HUgs da Guta